Cooperativas vitivinícolas e bem-estar na ilha do Fogo em Cabo Verde

AUTORES: Arlindo Rodrigues Fortes (Escola de Ciências Agrárias e Ambientais-Universidade de Cabo Verde), arlindo.fortes@docente.unicv.edu.cv
Manuel Ennes Ferreira (ISEG-Universidade de Lisboa), mfereira@iseg.ulisboa.pt

Introdução
Cabo Verde é um país desprovido de recursos naturais e com uma geografia física e climática que não propicia em toda a sua extensão a actividade agrícola. Contudo, e de acordo com o Recenseamento Geral da Agricultura de 2004, 42% dos habitantes correspondiam a população agrícola (INE, 2015). Apesar dos significativos avanços alcançados desde a sua independência em 1975, a pobreza acompanha o processo de desenvolvimento do país. Em 2007 a percentagem da população pobre, população vivendo abaixo do limiar da pobreza, era de 26,6% enquanto “a profundidade da pobreza foi de 8,1%, sendo que no meio urbano este valor foi de 3,3% e no meio rural de 14,3%” (INE, 2015: 63). Deste modo, a atenção que devem merecer quaisquer melhoramentos no sector agrícola e rural são óbvios.
A actividade agrícola constitui atualmente a base económica da Ilha do Fogo, sendo o café uma longa vocação e tradição na produção e exportação, pese embora em valores reduzidos. Muito recentemente, contudo, o cultivo da vinha passou a assumir-se como mais uma alternativa comercial através da produção de vinho. Esta produção, embora remonte ao tempo da colonização, nunca passou de um fabrico artesanal e sem qualidade. Numa tentativa de apoiar a diversificação da produção agrícola e melhorar o nível de rendimentos obtidos pelos produtores rurais, o governo lançou em 2008 o Plano de Acção para o Desenvolvimento da Agricultura na Ilha do Fogo (PADA-Fogo – 2009 a 2012) com o intuito de lançar e implementar o projeto de reabilitação do setor vitivinícola da Ilha do Fogo e nomeadamente nas zonas da Chã das Caldeiras e da Achada Grande, Corvo e Relva.
Assente na caracterização da atividade vitivinícola das famílias rurais cabo-verdianas da Ilha do Fogo, o objetivo principal deste artigo é dar a conhecer os resultados alcançados por um trabalho de campo nas adegas nos concelhos de Santa Catarina do Fogo e Mosteiros e nos campos de cultivo de vinha e que decorreu em 20104. A amostra correspondeu a produtores de vinha e sócios de duas cooperativas vitivinícolas – a Agro-Coop (Chã) e a Sodade – criadas, respectivamente, em 1998 e 2007. O propósito do inquérito visou, para além da caracterização do perfil socio-demográfico dos produtores de vinha, tentar perceber até que ponto esta produção, seja por aumento da superfície utilizada ou por substituição de outros produtos agrícolas tradicionais, se traduziu em aumentos de rendimento dos agregados familiares e, correspondentemente, num aumento no seu bem-estar.

1. Enquadramento: bem-estar e cooperativismo agrícola
A pobreza resulta de uma interligação complexa de processos económicos, políticos e sociais. Sendo um fenómeno multidimensional e multifacetado, vem adquirindo novas dimensões ao longo dos tempos e com graves consequências para o bem-estar das populações. Não sendo um fenómeno localizado geograficamente, o continente africano continua a ser o mais fustigado.
O conceito de pobreza tem sofrido diferentes abordagens pelas instituições internacionais como a OIT, o PNUD ou o Banco Mundial. Este define pobreza “como a incapacidade de alcançar um padrão mínimo de vida” (WB, 1990: 26). Para Sen (1979), pobreza é definida como a não satisfação das necessidades básicas para uma vida decente. Ressalva-se que o conceito de decência varia de sociedade para sociedade.
De uma preocupação baseada essencialmente no rendimento, passou-se posteriormente para a preocupação com a melhoria de todos os fatores aliados ao bem-estar. O conceito de “Pobreza Humana” aparece pela primeira vez no Relatório do Desenvolvimento Humano de 1997, na qual são considerados fatores baseados não só nos rendimentos das pessoas como a falta de liberdade política, ameaças à sustentabilidade bem e ainda incapacidade de participação na sociedade.
Intimamente ligado ao estudo da pobreza está o conceito de bem-estar. Este é um conceito subjectivo e pode dizer respeito tanto ao bem-estar individual como ao bem-estar coletivo. A título exemplificativo, o índice de desenvolvimento humano (IDH) é uma medida comparativa padronizada de avaliação e medida do bem-estar de uma população (riqueza, alfabetização, educação, esperança média de vida). Inicialmente muito centrado no rendimento, o conceito de bem-estar evoluiu para um sentido mais global, valorizando outras dimensões da vida dos indivíduos como a saúde, a educação ou a possibilidade da sua participação política e cívica. Há evidências de que mais rendimento nem sempre significa mais bem-estar. De qualquer modo, para níveis de pobreza elevada, melhorar a qualidade de vida das comunidades dos países mais pobres implica aumentar o seu rendimento (MPF/UEM/IIPPA, 1998).
Em países em que a agricultura desempenha um papel importante no emprego e geração de rendimento das famílias, seja como assalariados ou proprietários, nomeadamente no caso da pequena agricultura familiar, ela pode funcionar como um importante catalisador do desenvolvimento e de combate à pobreza5 uma vez que continua a ser uma importante fonte de dinamismo nas áreas rurais: “a melhoria da agricultura tem sido apontada como chave para atingir metas de redução da pobreza” (Toulmin & Guèye, 2005: 23).
Esta é a atividade que está na base da sua subsistência, garantindo o emprego da grande maioria da população ativa pobre das zonas rurais e é um dos setores a partir da qual os pobres tiram muito do seu rendimento (Toulmin & Guèye, 2005; Hazell et al, 2007). De acordo com Schultz (1950: 21), “produção agrícola e bem-estar das pessoas do campo são, na verdade questões fundamentais de interesse público. Eles são os pilares em que as políticas públicas para a agricultura devem ser elaboradas”. Sachs (2006), por seu turno, salienta a importância do desenvolvimento rural como modo de proporcionar novas oportunidades de trabalho em áreas rurais, tanto na agricultura como fora dela.
Assim, uma estratégia e uma política agrícola orientada para o desenvolvimento rural são fundamentais para aumentar a produtividade e, concomitantemente, os rendimentos das famílias dos pequenos agricultores e outros trabalhadores rurais6. Tal como afirma Hazell et al (2007: 2) “crescimento agrícola que aumenta a produtividade em pequenas propriedades provou ser altamente eficaz em cortar a pobreza, a fome e elevar os padrões de vida rural”.
As cooperativas e demais formas de agrupamento são, no geral, uma forma de cooperação. O associativismo cooperativo pode ser vantajoso para os pequenos produtores ao agrupar pessoas que isoladamente são economicamente fracas mas que pela união dos interesses são fortes devido à assistência mútua7. O associativismo é cada vez mais reconhecido como alternativa de desenvolvimento local e sustentabilidade social, constituindo-se uma força estratégica fundamental e indispensável nas estratégias de desenvolvimento dos territórios rurais (CTA, 2005; Guilherme, 2005).
A cooperativa8 não tem por finalidade exclusiva a obtenção do lucro. Acima de tudo a sua preocupação é a prestação de serviços que levem à satisfação das necessidades que originaram a sua constituição. Ajuda as famílias camponesas de modo a procurarem ter uma vida melhor, contribuindo na sua essência para o desencravamento das populações, fomentando o desenvolvimento rural. Segundo Pereira (1978: 7), “no caso de se tratar de uma cooperativa agrícola o seu objecto será, naturalmente, orientado no sentido de facilitar e melhorar as condições de que os seus associados dispõem para a exploração agrícola, transformação e comercialização dos seus produtos”.
Nos países em desenvolvimento grande parte da população rural cultiva, geralmente, os seus próprios alimentos. Para além dos alimentos, os agregados familiares necessitam de dinheiro para comprarem bens (vestuário, etc) e serviços (educação dos seus filhos, etc). Assim, o rendimento dos agricultores deve constar como uma questão central na política agrícola em países com acentuada população rural. O conceito de rendimento agrícola pode ser entendido como aquele que é obtido através da exploração agrícola e que corresponde maioritariamente a uma das fontes de rendimento das famílias agrícolas nas zonas rurais (Ferreiro, 1996). Para Bourgeois (1994: 27), “no setor agrícola, o conceito de rendimento é ainda mais impreciso do que para as outras categorias sociais, uma vez que existe uma grande interpenetração entre família e empresa. Para além disso, devido à sazonabilidade de um grande número de produções, o rendimento agrícola sofre variações durante um mesmo ano”. Outras fontes de rendimento poderão advir de salários, remessas, rendas, comércio.
Em muitos casos as pequenas propriedades9 são preferíveis às grandes propriedades no que respeita à equidade e redução da pobreza. Por um lado, combate o desemprego rural já que são normalmente operados por uma grande quantidade de mão-de-obra provenientes de pessoas pobres; por outro, o aumento do emprego rural e dos rendimentos agrícolas estimula a procura por bens e serviços não agrícolas e as famílias tendem preferencialmente a gastar o seu rendimento em bens e serviços produzidos localmente (bens agrícolas, serviços domésticos, mecânicos, artesãos, etc.) e não sobre produtos importados, estimulando a economia não agrícola rural e a criação de empregos adicionais.

2. Caracterização geral da ilha do Fogo
Cabo Verde é um arquipélago de origem vulcânica10 composto por dez ilhas (superfície total de 4.033 km²) das quais nove são habitadas, localizado no Oceano Atlântico a 455 km da costa ocidental africana. Tornou-se independente de Portugal em Julho de 1975 e tem como capital a Cidade da Praia localizada na ilha de Santiago. De acordo com o INE (2011), a população residente era de 491.875 habitantes devendo realçar-se que 49,5% são do sexo masculino e 50,5% são do sexo feminino.
Praticamente desprovido de recursos naturais e matérias-primas e insuficientes infra-estruturas básicas, o país assenta essencialmente a sua economia11 no setor de serviços (cerca de 75%). Com apenas 10% da superfície agricultável, este setor12 sofre frequentemente da imprevisibilidade do clima ligado às secas. É uma agricultura familiar tradicional, assente em micro-proprietários, com o setor agrícola a contribuir com menos de 10% para o PIB. Dados do Banco Mundial (WB, 2011) indicavam que as exportações estritamente agrícolas foram de apenas 1 milhão USD, isto é, não atingem 1% do valor de bens exportados, sendo que as bebidas alcoólicas representaram, no total, apenas 1,2% e 0,9% em 2013 e 2014 (INE, 2015).
A ilha do Fogo é uma das 10 ilhas que constituem Cabo Verde. Com os seus 476 km2 de superfície representa 11.8% do território nacional, sendo a quarta maior ilha do arquipélago cabo-verdiano. A ilha é de origem vulcânica e literalmente assemelha-se à forma de um vulcão que ainda se encontra em atividade13. Devido à altitude do vulcão, cone central constitui o pico do Fogo e é o ponto mais elevado do país.
Actualmente a ilha do Fogo tem 37.051 habitantes a que corresponde 13,5% do total da população residente em Cabo Verde, sendo 49,3% homens e 50,8% mulheres (INE, 2011). O concelho mais populoso é o de São Filipe com 22.248 habitantes e concentra 60% da população total da ilha, sendo que o concelho dos Mosteiros possui 25,7% dos habitantes da ilha e o concelho de Santa Catarina do Fogo, 14,3%. O Fogo tem uma população maioritariamente jovem (64,5% tem menos de 30 anos) cuja proporção é superior à média nacional (INE, 2011). Em qualquer dos concelhos, mais de 40% dos agregados familiares são chefiados por mulheres. Segundo o Questionário Unificado de Indicadores Básicos de Bem-Estar de 2007 (INE, 2011), a taxa de desemprego na ilha é de 21,5%, mais entre as mulheres (32,6%) relativamente aos homens (12,7%).
A ilha Fogo é uma das regiões económicas mais promissoras do sotavento com elevado potencial no setor das pescas (atum, chicharro, garoupa, serra, cavala, forcado badejo, lagosta e diversos outros mariscos). Mas o Fogo é, sobretudo, uma região de vocação agrícola14, rara e espantosamente fértil num cenário nacional historicamente difícil, ainda que circunscrita a áreas limitadas. É a ilha mais rural de Cabo Verde com 66,6% da população a viver no meio rural, proporção essa muito superior à média nacional que é de 38,2% posicionando-se como a terceira ilha agrícola mais importante em termos de produção.
O clima da ilha apresenta em linhas gerais as características do clima saheliano árido dominante em Cabo Verde. Porém, as suas condições geográficas caracterizam uma diversidade climática expressa na temperatura, na humidade do ar, na nebulosidade e na precipitação, determinante para garantir uma produção agro-pecuária variada onde, por efeito da altitude, o café e a uva são os pilares da mais valia agrícola local com grandes contribuições para as economias das famílias (Silva, 1992).
O problema da água é complicado pelo que existem pequenas parcelas de regadio. O café da ilha do Fogo, talvez o produto mais conhecido e valorizado da ilha, tem alta qualidade e aroma. A produção do conhecido vinho tradicional “manecon” é feita com base em técnicas ancestrais e as iniciativas atuais na produção, tanto artesanal como industrial do vinho do Fogo totalmente biológico, têm sido consistentemente coroadas de sucesso no mercado. Contudo, a produção tanto do vinho como do café não atinge quantidades consideráveis susceptíveis para grandes exportações.
Segundo o Recenseamento Geral da Agricultura de 2004 (MAAP, 2004), a área cultivável do Fogo totaliza cerca de 7.015 ha, correspondendo a 15,8% do total nacional e a cerca de 14,7% da superfície total da ilha. A área cultivável de sequeiro corresponde a 99,6% da área cultivável e a de regadio a 0,4% área cultivável. A população agrícola, ainda de cordo com o RGA de 2004, é de 28.691 pessoas, das quais 51,8% são do sexo feminino e 48,2% do sexo masculino. Das 5.726 explorações agrícolas existentes na ilha, 88,9% estão ligadas às actividades de sequeiro e 1,5% ao regadio. Cerca de 45,6% dessas explorações são chefiadas por mulheres.

3. Caracterização do sector vitivinícola na ilha do Fogo
Atualmente a área ocupada pela videira é estimada em cerca de 500 ha (mais de 120 mil pés de videira) em toda a ilha do Fogo e em progressiva expansão sendo que em 2005 havia 80 mil pés e uma área de pouco mais de 200 ha. A idade média das vinhas desde a sua replantação a seguir à erupção de 1995 passou de 100 para 14 anos. O cultivo desta planta nos dias de hoje circunscreve-se às zonas altas dos concelhos de Santa Catarina do Fogo e do Concelho dos Mosteiros por possuírem solos vulcânicos mais férteis e um microclima favorável à agricultura, numa altitude variável entre 800 e 1800 m. A maioria localiza-se a 1700 metros altitude, sobretudo em Chã das Caldeiras (Battaglia & Egger, 2000; Rodrigues & Fattori, 2008). O solo vulcânico e fértil acompanhado pelas oscilações térmicas com noites frescas e pelas muitas horas de sol em anos de precipitação e durante o ciclo vegetativo, são as razões para o desenvolvimento de uvas de boa qualidade com efeitos positivos sobre o grau de açúcar e substâncias aromáticas dando origem a vinhos saborosos, encorpados de alto teor alcoólico. A videira é cultivada num regime de sequeiro e, de acordo com o clima que caracteriza o arquipélago, a sua produção depende exclusivamente das escassas precipitações concentradas entre Julho e Setembro, determinando anos de boas ou más produções conforme a sua quantidade. A densidade de plantação é relativamente baixa e aleatória, sendo a média entre 400 a 500 plantas/ha.
O início do cultivo da videira em Cabo Verde remonta ao século XVI, altura em que foi introduzida pelos portugueses15, sobretudo nas ilhas de Santo Antão, São Nicolau, Santiago, Brava e Fogo quando se iniciou o seu povoamento. Foi na ilha do Fogo que o seu cultivo teve maior sucesso devido às suas potencialidades naturais. Do tipo Vitis vinífera, as castas mais cultivadas são a Preta Tradicional e a Moscatel Branca da qual se produzem respectivamente o “Manecon”, o vinho tinto, branco, rosé e licores. Com grande probabilidade de proveniência portuguesa correspondem respectivamente às castas Touriga Nacional e à Moscatel de Setúbal. Em menor representatividade seguem a Moscatel Preta (não excede 2% do número total de pés) e a Branca Tradicional (vinha Branca). A vindima ocorre em meados de Junho/Julho, até meados de Agosto (Battaglia & Egger, 2000).
Após a independência do país, mais precisamente a partir de 1984, a cooperação alemã forneceu assistência técnica, construiu e adquiriu equipamentos para as duas adegas no Fogo, Chã das Caldeiras (Boca Fonte) e Achada Grande, numa primeira tentativa de produzir o vinho com tecnologia moderna. Uma associação de produtores (Associação Montinho) e localizada na localidade de Montinho, vizinha de Chã das Caldeiras, foi criada com 50 agricultores em 1991. A partir de 1998, através do programa do Ministério da Agricultura (Programa de Desenvolvimento da Fruticultura em Cabo Verde) que contou com o apoio técnico da Cooperação Italiana e da ONG COSPE, o cultivo da vinha e a produção do vinho sofrem um incremento tanto em qualidade como em quantidade numa perspectiva de produção cooperativista. A Cooperativa de Transformação de Produtos Agro-Pecuários de Chã das Caldeiras, ou Agro-Coop mas também designada por cooperativa Chã, foi então fundada em 1998, o que permitiu a produção do vinho com marca denominada “Chã”. Os membros da  aludida Associação Montinho são sócios desta cooperativa. Mais tarde, em 2007, a Cooperativa de Transformação de Produtos Agro-Pecuários de Achada Grande, Corvo e Relva, designada por cooperativa Sodade, foi fundada e produz a marca “Sodade” (Rodrigues & Fattori, 2008 e CCISS, 2010).

4. Análise e discussão dos inquéritos realizados16
Os inquéritos foram realizados na localidade de Chã das Caldeiras do concelho de Santa Catarina do Fogo e na Achada Grande, Corvo e Relva no concelho de Mosteiros. Dos 30 agricultores inquiridos – sócios de alguma cooperativa vitivinícola -, 1/3 são mulheres (10) e 2/3 são homens (20). Verifica-se que há mais mulheres em Chã das Caldeiras do que relativamente à Achada Grande, Corvo e Relva. A média de idades dos agricultores é de 48,4. A dimensão média dos agregados em Santa Catarina do Fogo e nos Mosteiros era de 4,3 e 4,8 respectivamente (INE, 2011). O nível de instrução dos agricultores esmagadoramente não vai além do ensino primário (15 em Chã das Caldeiras e 7 em Achada Grande, Corvo e Relva). Apenas um tem o nível de instrução médio ou superior.
A maior parte dos agricultores inquiridos vive da agricultura. No entanto, alguns apresentam dupla ocupação, isto é, trabalham na agricultura e, além desta ocupação, possuem outras atividades principais.
Através dos inquéritos verificamos que 66,7% dos inquiridos cultivava a vinha antes de 1998 e 33,3% começou a cultivar entre 1998 e 2007. Várias razões são apresentadas, garantia de melhores rendimentos (47,2%) ou tradição (44,4%). Quanto à área com que iniciaram a produção, 77,8% diz que começou com 0,4 ha, 18,5% entre 1-2 ha e 3,7% com 5 ha.
As fontes de rendimento17 aqui referidas abrangem os resultantes da atividade em 2010. Não se pode deixar de mencionar ainda que a composição desses rendimentos pode envolver uma parcela significativa de rendimentos não monetários, ou seja, por exemplo a produção para autoconsumo18, o que de certa maneira contribui de forma significativa para minimizar os défices de rendimentos.
Tabela 1 – Estrutura das receitas (€) dos agregados dos produtores (2010).

Fonte: Dados recolhidos a partir Inquéritos dos autores
A estrutura dos rendimentos dos produtores inquiridos totaliza um valor anual de cerca de 195.984,99 €, sendo que é de indubitável importância o rendimento proveniente da produção e da venda das uvas às cooperativas vitivinícolas19 no total das receitas dos inquiridos. A atividade vitícola corresponde a 77,2% do total do rendimento auferido o que corresponde ao cada vez maior interesse que esta atividade tem suscitado entre os produtores daquelas localidades, resultando daí o aumento anual de plantação de pés de videira.
A composição das rendas das famílias mostra também a importância que as rendas não agrícolas representam no proveito total das famílias, principalmente na agricultura familiar É o caso da que provém da atividade de turismo rural (artesanato e turismo de habitação) que no caso de Chã das Caldeiras representa 2,6% e com tendência para aumentar nos próximos anos. As outras produções contemplam a venda de produtos agrícolas como o feijão, maçã, Manecon20 ou uva (esta é a parte que não é vendida às cooperativas).
Pelas conversas tidas com os inquiridos, verifica-se que há uma clara melhoria monetária devido ao facto de o preço/kg da uva ser muito mais compensatório do que antes do aparecimento das cooperativas vitivinícolas. Quer na localidade de Chã das Caldeiras quer da Achada Grande, Corvo e Relva o rendimento é, em média, dezassete vezes superior em comparação com a situação anterior ao início da produção de uva para venda junto das cooperativas. De acordo com os inquéritos, 96,6% dos produtores afirmou que anteriormente a vinha não dava melhores rendimentos. Por esse facto 87,9% dos agricultores considera a vinha como a cultura mais importante sendo que 93,3% deles apresenta como principal justificação para estar a cultivar vinha o facto de ela traduzir-se em melhoria de rendimentos. Por outro lado, verificamos também que antes de começarem com a cultura da vinha, 32% cultivava principalmente feijão, 25,3% milho, 16% mandioca e 8% batata-doce. As razões apresentadas para estar a produzir mais vinha foram a procura de melhores rendimentos (69,2%), o incentivo provocado pelo aparecimento das cooperativas (15,4%) e 10,3% devido à tradição dos pais.

5.1. Bem-estar baseado na despesa/consumo e qualidade de vida
Dos sócios das cooperativas vitivinícolas, 96,7% declara que o seu bem-estar melhorou depois do aparecimento das cooperativas: 95% dos sócios da Agro-Coop e 100% da Sodade. Das respostas obtidas sobre o bem-estar, verificamos a ordem de prioridades das suas despesas/consumo conducentes à realização do seu bem-estar.
Assim, as características das condições das habitações dos residentes de ambas as localidades apresentam melhorias significativas, nomeadamente quanto ao tipo de material usado para pavimento e para cobertura, com destaque sobretudo para o aumento do uso do mosaico para pavimentação.
Como a habitação adequada não se limita apenas às qualidades físicas da sua construção, esta inclui também o acesso aos sistemas essenciais de abastecimento de água potável, saneamento (casa de banho, latrina, etc.) e fornecimento de eletricidade. Constata-se que o número de habitações com casa de banho aumentou. Há um aumento significativo da água canalizada da rede pública e uso da eletricidade como principal fonte de energia para iluminação e para a confecção dos alimentos.
Cerca de 70% dos agricultores inquiridos declararam que aproveitaram para investir na instrução escolar dos filhos A educação nos locais de estudo conheceu, de facto, ganhos substanciai com um aumento significativo de alunos inscritos.

5.2. Limiar da pobreza
O INE (2007) no seu Questionário Unificado de Indicadores Básicos de Bem-Estar considera que o limiar de pobreza em Cabo Verde era, em 2010, de 448,78 €/ano. Tomando por base este valor e aquele referente aos rendimentos auferidos em 2010, os resultados permitem inferir que do total dos agricultores inquiridos, 46,7% posicionam-se acima deste limiar, sendo 50% na zona de Chã das Caldeiras e 40% na zona de Achada Grande, Corvo e Relva. Pode-se inferir que na ilha do Fogo a maior parte dos agregados destes agricultores ainda continuam expostos ao risco da pobreza.
Tabela 2 – Comparação do rendimento per capita com o limiar de pobreza

Fonte: Dados recolhidos a partir Inquéritos dos autores
5.3. Limiar das necessidades alimentares
O consumo destinado à alimentação21 é outro indicador da melhoria das condições de vida, uma vez que usualmente as despesas com a alimentação costumam constituir a principal fonte consumidora dos recursos da família.
O custo médio anual desta cesta alimentar foi calculado pelo INE através do Inquérito às Despesas e Receitas das Famílias (IDRF 2001/2002)22 com base nos preços médios ao consumidor. Requer que cada indivíduo despenda anualmente 150,56 € (16.602 ECV), valor necessário para o consumo das calorias recomendadas. Aquele cuja despesa anual de consumo for inferior a 150,56 € não conseguirá satisfazer as suas necessidades alimentares, ou seja, o seu bem-estar alimentar encontra-se abaixo da linha de água.
Tabela 3 – Comparação do rendimento per capita com o custo da cesta básica

Fonte: Dados recolhidos a partir Inquéritos dos autores
Da leitura do quadro verifica-se que no Chã das Caldeiras, 90% dos agregados dos inquiridos estão acima da linha de privação alimentar enquanto na Achada Grande, Corvo e Relva são 60% dos agregados familiares. Tal facto permite elucidar que a melhoria da condição financeira se traduziu no acesso a outros géneros alimentícios, contribuindo para uma melhor segurança nutricional. A julgar pelos dados do quadro, uma parcela significativa dos agregados dos produtores (20%) não possui ainda recursos financeiros suficientes para garantir a satisfação das suas necessidades alimentares. Tal como atrás foi referido as necessidades alimentares podem ser compensadas pela produção local, dado que existe uma elevado índice de auto consumo (feijão, maçã, marmelo, figo, melancia, romã, hortaliças, batata-doce, mandioca galinha, porco ou cabra).

5.4. Bem-estar dos sócios das Adegas e das Comunidades
As vantagens da criação das cooperativas vitivinícolas não têm beneficiado apenas os seus sócios mas também outras pessoas da comunidade. Das conversas tidas durante o trabalho de campo foi possível percepcionar uma quase unânime concordância por parte dos produtores vitícolas, das populações das comunidades e das instituições, da melhoria das condições de vida das populações destas localidades vinhateiras. De acordo com o tratamento dos inquéritos, cerca de 83% dos sócios declararam estar satisfeitos com o funcionamento das cooperativas. As razões foram várias: 38,9% disse estar satisfeito porque as cooperativas providenciam assistência técnica, 18,5% porque ajudam a comunidade, 14,8% por valorizarem o preço das uvas e 9,3% por criarem emprego.
Como todo o trabalho tem sido manual (engarrafamento, etiquetagem, etc.) por imposição das próprias cooperativas, a necessidade de recrutar mão-de-obra para esses trabalhos proporciona a criação de trabalhos na comunidade e, por conseguinte, rendimentos a outros agregados familiares que não os sócios das cooperativas.
A cooperativa Agro-Coop (Chã das Caldeiras), por exemplo, presta ajuda à comunidade de diversas formas: apoios sociais à igreja local para que esta possa realizar as festividades anuais; apoio para a reabilitação da escola local (pintura, aquisição de mesas, cadeiras, etc.); reabilitação do posto sanitário; ou ainda apoiando os desportistas locais na compra de equipamentos necessários para o desenvolvimento das suas atividades. Presta também atenção aos carenciados de forma esporádica na construção de habitações e na deslocação de doentes custeando uma parte dos custos do tratamento. Por outro lado, os rendimentos da vinha permitem à Associação Montinho subsidiar a confecção das refeições quentes no jardim infantil ao garantir a presença de uma cozinheira.
A cooperativa Sodade não tem prestado ainda apoios sociais à comunidade uma vez que iniciou a sua atividade mais recentemente e ainda não possui solidez suficiente como a demonstrada pela Agro-coop. Ambas as cooperativas custeiam a formação para os seus técnicos em enologia, na capital do país (Cidade da Praia) e no exterior. Também custeiam a consultoria dada pelo enólogo que desde o início os tem apoiado na vinificação.
Por outro lado, a atividade vitivinícola tem atraído e tem sido o motor do desenvolvimento de outras atividades, nomeadamente o turismo. Desta forma têm vindo a receber muitos visitantes, advindo daí outras fontes de rendimento, como  a venda de artesanato ou o aluguer de turismo de habitação, criando emprego. Muitos jovens têm-se fixado nas suas localidades uma vez que não precisam de ter que obrigatoriamente sair para procurar emprego fora da ilha do Fogo.

Conclusão
O presente trabalho mostra que a atividade vitivinícola na ilha do Fogo pode estimular a economia rural ao proporcionar aos agricultores melhores rendimentos e, desta forma, contribuir para a melhoria do seu bem-estar. Por outro lado, ficou perceptível que o sector vitivinícola não pode ser visto isoladamente mas antes como uma componente do desenvolvimento integrado. Tem maior potencial empregador para as populações com poucas alternativas mas pode também favorecer o crescimento de atividades não agrícolas.
A conclusão mais importante é a de que o nível geral de vida nas localidades vitícolas melhorou e tem estado a melhorar desde o aparecimento das cooperativas de produção e comercialização do vinho. A análise e interpretação dos dados recolhidos no terreno evidenciam a importância que a viticultura e a vinicultura assumem na geração de rendimentos e na melhoria do bem-estar dos agregados familiares e das comunidades, permitindo adquirir outros bens alimentares e outros serviços. Verifica-se que os resultados, tanto os monetários como os não monetários, foram positivos no que respeita às melhorias das condições de vida: aumento do rendimento, aumento da escolaridade das crianças e aumento da continuação dos estudos por parte das crianças e adolescentes, criação de postos de trabalho, e melhorias em indicadores de saúde e condições habitacionais.
Em termos sintéticos, e para 2010, apurou-se que a viticultura é uma importante fonte de rendimento para os associados das cooperativas Chã (Chã das Caldeiras) e Sodade (Achada Grande, Corvo e Relva) representando cerca de 77,2% do seu rendimento global; que este foi, em comparação com a situação no passado, dezassete vezes superior; que 96,7% dos produtores viu melhorar o seu bem-estar depois do aparecimento das cooperativas; que 87,9% dos produtores tem a vinha como a cultura mais importante, pelo facto de permitir a melhoria dos rendimentos; que 46,7% dos produtores situam-se acima do limiar pobreza e 80% acima do valor da cesta básica devido aos rendimentos da vinha; que a melhoria dos rendimentos permite a que cerca de 70% dos agricultores invista na educação dos filhos, proporcionado um aumento das matrículas registadas.
Assim, a Vinha, cultura praticada desde há muitos anos, parece ser uma das culturas a apostar na ilha do Fogo. O facto de se poder obter a partir daí outros rendimentos e tendo em conta os preços praticados, representa uma atividade valorativa e uma boa alternativa de rendimento comparativamente a outras culturas tradicionais. No entanto, debate-se ainda com algumas deficiências que urge resolver: vinhas velhas na sua grande maioria (mais de 70% das vinhas têm idade superior a 30 anos) e explorações de dimensões reduzidas, muito parceladas, e que condicionam o acesso à terra para novas plantações de videiras. O cooperativismo vinícola detém já posição interessante na economia da produção de vinhos em Cabo Verde e as pequenas propriedades têm desempenhado um papel importante no desenvolvimento e redução da pobreza, papel amplamente reconhecido pelos parceiros de desenvolvimento. O cooperativismo na Ilha do Fogo ligado à produção vitivinícola constitui um exemplo frutífero do que pode ser a procura de diversificação da atividade agrícola aproveitando o mercado interno ou o mercado externo, este, sobretudo, pela aposta nos vastos mercados de emigrantes cabo-verdianos.

 

Bibliografia
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